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‘Ninguém nasce pronto para ser diretor’: o que separa quem lidera uma área de quem lidera o negócio
Especialista em recrutamento de CEOs e conselheiros explica as competências que aceleram ou travam a ascensão à alta liderança
A promoção para diretor costuma ser vista como o próximo passo natural na carreira de um gerente de destaque. Mas, na prática, a mudança exige uma transformação na forma de pensar, liderar e tomar decisões.
Essa é a visão de Luiz Gustavo Mariano, sócio da Flow Executive Finders, consultoria especializada em recrutamento de executivos, CEOs e conselheiros. Com mais de duas décadas de experiência em executive search, Mariano acompanha de perto os critérios utilizados pelas empresas para escolher quem ocupará as posições mais estratégicas das organizações.
Segundo ele, um dos erros mais comuns de profissionais em ascensão é acreditar que a excelência técnica, sozinha, é suficiente para alcançar a alta liderança.
O que as empresas procuram em um diretor
Quando uma companhia contrata um diretor, normalmente busca alguém capaz de resolver um desafio concreto de negócio: aumentar receitas, melhorar margens, acelerar crescimento ou liderar uma transformação.
Por isso, explica Mariano, a primeira exigência é o domínio profundo da própria área de atuação. Um diretor de marketing, finanças, tecnologia ou vendas precisa conhecer sua função em profundidade — mas isso não basta.
"A partir da diretoria, o profissional deixa de ser responsável apenas pela sua área e passa a dividir a responsabilidade pelos resultados da empresa como um todo"
Luiz Gustavo Mariano, sócio da Flow Executive Finders
A visão transversal do negócio se tornou uma das competências mais valorizadas nas cadeiras executivas.
O salto que pega muitos profissionais de surpresa
A transição da gerência para a diretoria costuma ser um dos momentos mais desafiadores da carreira.
Segundo Mariano, isso acontece porque o profissional deixa de administrar apenas uma parte da operação e passa a liderar toda uma função, além de participar das decisões estratégicas da companhia.
Outro desafio relevante é a mudança de relacionamento com a equipe. "Muitas vezes o novo diretor passa a liderar profissionais que antes eram seus pares", explica.
Além disso, a agenda muda radicalmente. Enquanto o gerente dedica a maior parte do tempo à execução, o diretor precisa equilibrar três frentes simultaneamente:
Operar o negócio;
Transformar processos e estruturas;
Construir o futuro da área e da empresa.
Essa nova divisão exige capacidades diferentes e uma maturidade que não se desenvolve da noite para o dia.
O erro de querer acelerar demais
Em um mercado que valoriza crescimento rápido e ascensão profissional, Mariano traz que uma promoção prematura pode causar mais danos do que benefícios. Ele cita um princípio frequentemente discutido entre executivos: a melhor forma de perder um talento pode ser promovê-lo antes da hora.
Quando isso acontece, a cobrança aumenta mais rápido do que a capacidade de entrega, e o resultado pode ser insegurança, ansiedade e desgaste profissional. Por isso, o executivo defende que a construção da carreira seja baseada em consistência, não em saltos acelerados.
"Tempo continua sendo um ativo importante no desenvolvimento de liderança", afirma.
O papel do aprendizado contínuo
Se ninguém nasce pronto para ser diretor, como se preparar?
Para Mariano, a responsabilidade pelo desenvolvimento profissional é cada vez mais individual.
As empresas oferecem oportunidades, experiências e exposição, mas cabe ao profissional identificar lacunas, buscar conhecimento e investir no próprio crescimento. Nesse contexto, programas de educação executiva, MBAs e cursos especializados desempenham um papel importante.
Além de preparar profissionais para situações que ainda não vivenciaram, esses programas ajudam a transformar experiência prática em método. Segundo ele, um dos diferenciais dos grandes líderes é justamente a capacidade de explicar, ensinar e desenvolver outras pessoas.
"E isso exige mais do que experiência. Exige repertório conceitual e metodologia", afirma.
Lideranças mais jovens estão chegando?
O avanço da tecnologia e da inteligência artificial tem alimentado uma nova geração de líderes. Mariano reconhece que alguns profissionais estão alcançando níveis elevados de maturidade mais cedo.
O acesso à informação, a velocidade do aprendizado e a exposição a múltiplas áreas do negócio contribuem para esse fenômeno, mas ele faz uma distinção importante.
Nem toda juventude significa inexperiência. Em muitos casos, os profissionais mais jovens que chegam rapidamente à liderança são justamente aqueles que estudam mais, leem mais, trabalham mais e buscam constantemente ampliar seu repertório.
Ainda assim, experiência continua sendo um diferencial importante, especialmente em contextos de transformação complexa.
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