Material tem caráter orientativo e busca esclarecer dúvidas sobre a aplicação das normas, especialmente no contexto do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)
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O real está melhorando ou é o dólar que está piorando?
No ano, a moeda norte americana acumula queda de 6,64% em relação ao real
Toda vez que o dólar cai frente ao real, surge a mesma pergunta: é mérito nosso ou demérito deles? A resposta, olhando os dados friamente, é menos patriótica do que parece. O movimento recente tem muito mais a ver com um enfraquecimento global do dólar do que com uma transformação estrutural da economia brasileira.
Nesta quarta-feira, 25, o dólar fechou no menor valor desde 21 de maio de 2024, cotado a R$ 5,1247 e, assim, acumula queda de 6,64% no ano.
O primeiro ponto é observar o comportamento do dólar contra o mundo, não apenas contra o real. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de moedas fortes como euro, iene e libra, vem mostrando perda de força.
Quando o DXY cai, significa que o dólar está se desvalorizando de forma ampla. Esse não é um fenômeno isolado no Brasil, mas sim uma dinâmica global.
Se ampliarmos a lente para mercados emergentes, o quadro fica ainda mais claro. Não é só o real que está se valorizando; por exemplo, o peso mexicano, rand sul-africano, iuan chinês e outras moedas emergentes também vêm ganhando terreno frente ao dólar. Isso aponta para uma rotação de fluxo internacional em direção a ativos de maior risco, geralmente estimulada por expectativa de juros mais baixos nos Estados Unidos ou menor percepção de risco sistêmico.
Isso não significa que o real não tenha seus próprios fundamentos. O diferencial de juros ainda é relevante e o fluxo estrangeiro para bolsa e renda fixa ajuda. O Brasil, apesar de seus ruídos fiscais crônicos, tem mantido certa estabilidade macro comparada ao passado recente. Mas nada disso explica sozinho um movimento consistente se o dólar estivesse estruturalmente forte, isto é, se o DXY estivesse subindo, dificilmente o real estaria performando dessa forma.
Não existe “força” isolada, mas sim uma comparação entre os pares relevantes. E hoje a comparação favorece moedas fora do eixo central porque o dólar perdeu tração global. O motor primário está nos Estados Unidos: expectativa de política monetária menos restritiva, ruídos fiscais e redução do prêmio de segurança, e o real está surfando essa onda.
Portanto, o real está melhor, sim, mas dentro de um contexto em que o dólar está pior. Não é uma história de excepcionalismo brasileiro, mas de ciclo global. Além disso, precisamos lembrar que temos uma eleição pela frente que deve colocar uma pimentinha nessas percepções e narrativas.
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