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Agenda cheia não é produtividade, alerta RH
Exaustão, falta de foco e má gestão de energia colocam em risco a performance e a qualidade das decisões no ambiente corporativo
No cenário corporativo atual, a exaustão passou a ser tratada, equivocadamente, como um símbolo de produtividade. Agendas cheias, sem espaços para pausa, são frequentemente vistas como sinal de alta performance. No entanto, especialistas alertam: esse comportamento pode ser, na verdade, um indicativo de falhas na priorização e na gestão do tempo.
A lógica é simples — o tempo é finito, mas a energia pode (e deve) ser renovada. Para isso, entra em cena um conceito cada vez mais valorizado no ambiente corporativo: o trabalho profundo (deep work). A prática consiste em reservar blocos de tempo focado, livre de interrupções, para atividades estratégicas que exigem concentração e tomada de decisão qualificada.
Nesse contexto, práticas como autocuidado e contato com a natureza deixam de ser vistas como pausas improdutivas e passam a ser reconhecidas como ferramentas essenciais para a manutenção da performance.
“Alta performance não está relacionada à quantidade de horas trabalhadas, mas à qualidade das entregas realizadas no tempo disponível”, reforçam especialistas em desenvolvimento de liderança.
Dados recentes de 2025 evidenciam o tamanho do desafio: cerca de 82% dos profissionais ainda não possuem um sistema estruturado de gestão do tempo, tornando-se reféns de demandas reativas, como e-mails e listas de tarefas desorganizadas. Como consequência, aproximadamente 21% relatam a sensação constante de perda de controle sobre o próprio trabalho — um fator diretamente ligado ao aumento do estresse e à elevação dos níveis de cortisol.
Os impactos também se refletem no comportamento e na liderança. Profissionais exaustos são 59% mais propensos à irritabilidade e 58% mais suscetíveis a preocupações excessivas, comprometendo a clareza necessária para decisões estratégicas e gestão de equipes.
Por outro lado, organizações que investem em automação e inteligência artificial para reduzir tarefas operacionais já observam ganhos expressivos. Em alguns casos, a produtividade aumentou em até 79%, liberando líderes para focar em atividades de maior valor agregado, como estratégia, inovação e gestão de pessoas.
Para o biênio 2025-2026, o bem-estar deixou de ser um diferencial e passou a ser uma prioridade estratégica. No Brasil, 97% dos líderes de RH consideram programas de saúde mental fundamentais para a satisfação e retenção de talentos.
Diante desse cenário, a gestão de energia se consolida como uma nova métrica de eficiência organizacional. Mais do que administrar agendas, líderes e empresas precisam aprender a preservar o ativo mais valioso do trabalho contemporâneo: a capacidade humana de pensar, decidir e liderar com clareza.
Ignorar pausas estratégicas, portanto, não é apenas uma escolha individual — é um risco direto para a qualidade da liderança e para o valor gerado pelas organizações.
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