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Decidir menos, decidir melhor: por que os CFOs estão delegando decisões operacionais à IA
Empresas brasileiras apostam em plataformas de decisão para lidar com fluxos financeiros complexos e liberar executivos para decisões estratégicas
Em vez de mergulhar em planilhas para aprovar pagamentos ou revisar regras de precificação, CFOs de empresas brasileiras têm feito um movimento estratégico: delegar decisões operacionais para sistemas automatizados com inteligência artificial (IA). A tendência, que antes parecia futurista, já é realidade em empresas que lidam com grandes volumes de transações e múltiplas regras de negócio.
No setor financeiro, a automação está transformando o papel dos C-Levels com a integração de IA, fazendo com que APIs e plataformas especializadas, rotinas como aprovação de crédito, definição de preços dinâmicos e priorização de cobranças deixam de depender exclusivamente da análise humana.
“Estamos entrando na era das plataformas de decisão, que vão além dos dashboards. Hoje, não basta apenas visualizar dados, é preciso agir sobre eles, em tempo real e com governança”, explica Lígia Lopes, CEO da Teros, plataforma de automação inteligente que transforma dados em resultados.
Um levantamento da IBM, realizado em parceria com a Morning Consult e a Lopez Research, mostra que 78% das empresas brasileiras planejam ampliar seus investimentos em inteligência artificial até o fim de 2025, com destaque para soluções baseadas em código aberto (50%). O estudo revela ainda que 95% dos respondentes no Brasil já avançaram na implementação de estratégias de IA em 2024, sendo que 48% deles já percebem retorno positivo sobre os investimentos feitos na área.
Para Lígia, um dos principais motores dessa transformação é a complexidade crescente nos fluxos financeiros, com múltiplos ERPs, meios de pagamento, políticas comerciais e canais de venda. Segundo a CEO, sistemas isolados e planilhas já não dão conta e o futuro exige integração em tempo real, com inteligência aplicada diretamente no fluxo e não apenas na análise posterior.
“Na prática, o uso da IA no financeiro vai muito além da robotização de tarefas. Trata-se de configurar regras de negócio para que a tecnologia tome decisões com base em contexto, dados históricos, parâmetros de risco e objetivos da empresa. É o caso de varejistas que usam IA para ajustar preços de forma dinâmica conforme o meio de pagamento escolhido, ou empresas B2B que automatizam a concessão de crédito com base em modelos preditivos”, complementa a especialista.
No entanto, a automação exige responsabilidade. A Teros defende a ideia de “IA com governança”, em que algoritmos atuam com transparência, baseados em regras auditáveis e supervisão humana. Dessa forma, o processo não se caracteriza como uma “caixa-preta” que decide sozinha, mas de uma plataforma configurada pela própria empresa para agir com lógica de negócio e segurança.
A nova era das decisões financeiras automatizadas também redefine a governança interna. Se antes o CFO era o guardião das aprovações, hoje ele passa a ser o arquiteto das regras que movem o sistema.
“É o que chamamos de orquestração com contexto. Delegar à IA não é perder poder, mas ganhar tempo e assertividade. O segredo está em decidir menos, mas decidir melhor”, conclui a CEO da Teros.
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