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Crédito privado: o nome da vez
A taxa Selic volta a apresentar aumento significativo, fato que ocorreu pela última vez em 2019
A taxa Selic volta a apresentar aumento significativo, fato que ocorreu pela última vez em 2019, e isso influencia na escolha dos investimentos. As recentes revisões de agentes do mercado para a Selic, que agora estimam uma taxa de ao menos 8,5% no fim do ano, ressaltam que a renda fixa voltou a atrair a atenção dos brasileiros. E, em paralelo à retomada da categoria, os ativos de crédito privado, como as debêntures e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA), têm visto um volume robusto de novas emissões e de novos adeptos.
Uma boa notícia para os investidores que gostam do segmento de renda fixa e particularmente de créditos privados é que, tendencialmente, haverá novos aumentos da taxa Selic até o final do ano, gerando ainda mais atratividade ao segmento e aos ativos.
A taxa Selic atual se encontra em 6,5% ao ano e as projeções é de que ela alcance o patamar de 8,5% ou até mais. Algumas casas de gestão e de análises projetam a Selic em 9% para o fim do ano. Diante das pressões inflacionárias atuais não será nenhum exagero, de fato, chegarmos ao percentual da taxa Selic em 9% a.a.
Logo, os ativos de renda fixa que estão pagando taxas mais, assim como os ativos de crédito privado, tendem a se tornar opções ainda mais atrativas para investir. Contudo, ao decidir investir nestes tipos de ativos é necessário avaliar os riscos de crédito, isto é, o risco do emissor e/ou da contraparte do investidor, além dos riscos de liquidez e de mercado.
É necessário ainda analisar o custo de oportunidade do capital, já que o mercado é muito dinâmico. Dentro do segmento de renda fixa há diferentes ativos, cada um deles com riscos de crédito, de liquidez e de mercado distintos. Tudo isto impõe a necessidade de uma análise constante sobre o custo de oportunidade do capital.
Cabe ao investidor também analisar o seu perfil de risco, escolhendo o tipo de ativo que melhor lhe convém, e bem assim os prazos de vencimento, as taxas e as volatilidades de mercado.
Comparativamente em relação aos últimos meses de 2021, os papéis de crédito privado têm tido uma trajetória de rendimentos bem acima de outros títulos do segmento de renda fixa. Inclusive, seus resultados tem atraído a atenção de investidores da renda variável que passaram a enxergar neles títulos de ótimo custo de oportunidade do capital.
Pesquisas recentes de mercado apontam que o IMA-S – índice financeiro composto por títulos que são atrelados à taxa Selic, por exemplo, as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), rendeu 1,68% num mesmo período de tempo que o IDA-DI, índice que espelha o comportamento de uma carteira de debêntures (títulos de crédito privado) atreladas à taxa DI, que rendeu 3,77%.
Portanto, comparativamente mais que o dobro. Contudo, os índices incorporam diferentes classes de ativos no que diz respeito aos riscos de crédito, de liquidez e de mercado. Tendencialmente, sabemos que quanto maior o risco maior o retorno.
Dessa forma, cabe ao investidor se questionar acerca dos riscos aos quais ele esteja disposto a incorrer, bem como se tem o “sangue frio” necessário para aguentar as volatilidades de mercado e, sobretudo, estar ciente de que rentabilidade passada não é garantia de ganhos futuros.
Assim, o investidor pode até supor que o mercado de crédito privado continuará rendendo mais do que os outros ativos de renda fixa, mas ele deve sempre revisitar cenários e a sua estratégia, já que o mercado é muito maior do que qualquer investidor isoladamente.
O mercado é muito dinâmico, os riscos inerentes às atividades de investimentos não são estáticos e o custo de oportunidade do capital está sempre em movimento. Conclusivamente, devemos estar sempre atentos e bem informados sobre os movimentos de mercado vis a vis aos rendimentos de nossos investimentos.
Os títulos de crédito privado têm se mostrado excelentes opções diante do mercado difícil que temos enfrentado, mas devemos estar atentos e ágeis para eventuais mudanças de posições, se assim o mercado nos exigir.
Emília de Castro Belo, sócia-fundadora da Aspen Investimentos
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